Preto, pobre e suburbano

Esse aqui é o cotidiano de um simples jornalista carioca que mora e circula pra cima e pra baixo na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Mas acaba sempre voltando pra a base, em Bangu - terra onde só os fortes sobrevivem pq é longe pra burro e tem que ter saco pra aturar as idas e vindas...

sábado, fevereiro 24, 2007

Antes do carnaval é sempre interessante ficar vendo como a cidade vai deixando aquele ar urbano, laborioso. Como tudo vai ficando mais frouxo com a chegada das festas carnavalescas. Na tarde de sexta-feira o prefeito ainda entrega, mesmo que simbolicamente, a chave da cidade ao Rei Momo. Aí lascou-se, já era. O Rio é o carnaval e o carnaval é o Rio.

As avenidas Rio Branco e Presidente Vargas vão se transformando aos poucos em palcos da folia. As vias onde office-boys frenéticos caminham, entregadores de irritantes papeizinhos com oferta de empréstimos e casas de luz vermelha, meninas de tailleur e gravatinhas vão virando ao poucos lugar das marchinhas e sambas. E não são só as calçadas, o meio da pista, o asfalto por onde passam os veículos também passar a ser do folião. E sou obrigado a confessar, adoro essa parte, de ocupar o espaço que não é meu pra fazer festa.

Ontem, já quinta-feira, fui andar pela Rio Branco outra vez na hora do almoço, ia para um restaurante na hora do almoço. Por uns instantes fiquei olhando praquilo tudo e lembrando que no sábado, menos de uma semana antes, aquele era o grande palco do Cordão da Bola Preta, era o lugar onde centenas de milhares de pessoas se divertiam numa manhã carnavalesca e agora, xi...., agora tudo tinha voltado ao normal. Fantasias, bateria, sambas e animação evaporaram... Carros, ônibus e táxis na pista e os mesmos office-boys frenéticos, os entregadores de irritantes papeizinhos, as meninas de tailleur e os gravatinhas tomaram conta do lugar de novo. Ao menos até a próxima sexta-feira de carnaval